Conferência Internacional do Trabalho 2026

A inteligência artificial (IA) está a transformar rapidamente o mundo do trabalho, mas o seu impacto final não será determinado apenas pela evolução tecnológica. A mensagem foi deixada pelo diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Gilbert F. Houngbo, na abertura da 114.ª sessão da Conferência Internacional do Trabalho (CIT), que decorre em Genebra até amanhã.

Perante os representantes de governos, empregadores e trabalhadores dos 187 Estados-membros da OIT,  incluindo da Delegação Portuguesa de que a CCP fez parte, o diretor- geral da OIT apelou a uma abordagem centrada nas pessoas para orientar o desenvolvimento e a utilização da inteligência artificial, sublinhando que o futuro do trabalho dependerá das políticas públicas, das instituições e do diálogo social que forem capazes de moldar esta transformação.

“O futuro do trabalho não será determinado apenas pela tecnologia, mas pelas políticas, instituições e diálogo social que o orientam”, afirmou Gilbert F. Houngbo.

A intervenção teve por base o relatório apresentado à Conferência, intitulado A moment of choice: Harnessing artificial intelligence for decent work [Um Momento de Escolha: Aproveitar o Potencial da Inteligência Artificial para Promover o Trabalho Digno], que identifica oportunidades e riscos associados à crescente adoção da IA no mundo do trabalho. Segundo Houngbo, a ação da comunidade internacional deverá assentar em quatro pilares estratégicos: direitos, emprego e competências, proteção social e diálogo social.

Um dos principais desafios apontados prende-se com a repartição dos ganhos de produtividade gerados pela inteligência artificial. O diretor-geral defendeu que os benefícios económicos decorrentes da inovação tecnológica devem traduzir-se em melhores salários, maior proteção laboral e crescimento inclusivo, evitando que a transformação digital contribua para o agravamento das desigualdades.

Destacou o papel fundamental da negociação coletiva e de mecanismos de governação da IA baseados na transparência, responsabilização e supervisão humana. “As escolhas que fizermos hoje determinarão se a IA ampliará as oportunidades e a prosperidade partilhada ou se aprofundará as desigualdades e a insegurança”, alertou.

A reflexão sobre a inteligência artificial surge num cenário internacional marcado por forte instabilidade económica e geopolítica. Houngbo chamou a atenção para os impactos do conflito no Médio Oriente sobre o trabalho a nível mundial, nomeadamente os impactos no setor marítimo, na migração laboral, na agricultura  e onde empresas e trabalhadores da região enfrentam dificuldades significativas.

De acordo com estimativas recentes da OIT, um cenário prolongado de aumento dos preços do petróleo poderá traduzir-se numa redução das horas trabalhadas equivalente a 14 milhões de empregos a tempo completo ainda em 2026, podendo atingir 38 milhões de empregos até 2027. As perdas acumuladas de rendimento do trabalho poderão alcançar os três mil milhões de dólares até esse período, afetando particularmente os Estados Árabes e produzindo efeitos indiretos noutras regiões, incluindo a Ásia-Pacífico.

Além da discussão sobre inteligência artificial, a 114.ª sessão da CIT abordou vários temas estruturantes para o futuro do trabalho. Entre eles destacou-se a segunda discussão normativa sobre trabalho digno na economia de plataformas digitais, com vista à adoção de novas normas internacionais do trabalho.

Estas deverão tornar-se as primeiras normas internacionais especificamente direcionadas para os impactos da digitalização no mundo laboral. Os debates incluem matérias relacionadas com a promoção do emprego, a proteção dos trabalhadores das plataformas digitais e a utilização de sistemas automatizados de gestão e decisão.

A igualdade de género foi igualmente um dos temas centrais da Conferência. Um comité especializado analisou as barreiras estruturais que continuam a limitar as oportunidades das mulheres no trabalho e discutiu políticas que garantam que as transições tecnológica, ambiental e demográfica contribuam para sociedades mais inclusivas e equitativas.

Outro dos focos da reunião foi o reforço do diálogo social e do tripartismo, modelo de governação da OIT que analisou como a cooperação entre governos, empregadores e trabalhadores  será decisiva para responder aos desafios associados à transformação digital, às mudanças demográficas e ao aumento das desigualdades, contribuindo simultaneamente para uma melhor governação do trabalho e para o avanço da justiça social.

A conferência decorre até amanhã, dia 12 de junho e pode ainda ser acompanhada em: CIT 2026

CCP Partilha Modelo de Antecipação de Competências em Evento de Prestígio da OIT

Está a decorrer, com enorme sucesso, a palestra internacional promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) dedicada à Antecipação de Competências, que contou com uma participação de grande destaque da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP).

O evento, que reúne líderes, peritos e dirigentes de organizações empresariais e parceiros sociais do Brasil, Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, serve de palco para a partilha de soluções inovadoras no combate ao desajuste de competências (skills mismatch) no mercado de trabalho atual.

O convite endereçado diretamente à CCP pela OIT — através do seu prestigiado Centro Internacional de Formação — representa um claro reconhecimento internacional do trabalho de excelência que a Confederação tem desenvolvido em Portugal. A CCP foi apontada como um caso de estudo de referência (benchmark) na Europa, graças à sua capacidade única de ler as necessidades de formação no terreno e traduzi-las em políticas públicas de qualificação.

A Confederação apresentou a comunicação “Antecipação de Competências: A Perspetiva Prática da CCP”. Durante a intervenção, foi detalhado o funcionamento da vasta rede da CCP que, através de mais de uma centena de associações afiliadas, atua como um autêntico “sensor de proximidade” para as micro e pequenas empresas portuguesas.

No encerramento do evento, os representantes dos países da CPLP sublinharam o valor prático das recomendações partilhadas pela CCP, nomeadamente a importância de descentralizar os diagnósticos para além das grandes capitais e de desenhar programas de formação focados em resultados práticos de aprendizagem.

Este convite da OIT e a extraordinária adesão dos nossos congéneres lusófonos demonstram que as soluções que estamos a desenhar em Portugal para apoiar as nossas micro e pequenas empresas na transição digital e sustentável são altamente replicáveis e inspiradoras à escala global.

A CCP agradece à OIT pela confiança e pela oportunidade de reforçar a sua influência internacional, consolidando o seu papel de parceiro estratégico incontornável na definição do futuro do trabalho.

CCP considera que inexpressividade da adesão no setor empresarial demonstra que trabalhadores não acreditam na greve geral como solução para as questões da Lei laboral

Lisboa, 3 de junho de 2026 – O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Gustavo Paulo Duarte, destacou hoje que a inexpressividade dos números de trabalhadores aderentes à greve geral, recolhidos junto das associações dos setores do Comércio e dos Serviços, evidencia que “os trabalhadores do setor empresarial deram provas de não acreditar na greve geral como solução para nada”.

Gustavo Paulo Duarte considera ainda que “os números comprovam o que já era por demais evidente e tínhamos alertado; esta greve geral não foi mais do que um pseudoacontecimento, encenado por parte de forças políticas que continuam a achar que podem instrumentalizar os trabalhadores. A realidade encarregou-se de o desmentir”.

“A resolução das questões em torno das alterações à Lei laboral deve ser agora encontrada através de consenso laboral, tendo os partidos políticos em conta as propostas apresentadas pelos parceiros sociais, nomeadamente as da CCP”, conclui o mesmo responsável.

A posição do presidente da CCP surge após uma recolha efetuada pela Confederação junto de 23 Associações dos setores do Comércio e Serviços, que confirmaram a inexpressividade das adesões com 20 Associações a estimar ser “muito reduzido” (menor ou igual a 5%) o número de empresas com trabalhadores em greve, duas como “reduzido” (de 6% a 10%) e apenas uma como “elevado” (de 16% a 20%).

O relatório da CCP confirmou igualmente que, “da auscultação realizada junto da rede associativa da CCP e da leitura face a relatos que recolhemos acerca do efeito de greves anteriores nas empresas que representamos – estimamos que o número de empresas que têm trabalhadores que aderiram à greve é muito reduzido e, nas muito poucas que têm trabalhadores em greve, é igualmente muito reduzido o número de trabalhadores que aderiu à greve.  Por outro lado, o impacto financeiro e nos resultados das empresas dos nossos setores deste dia de greve também se estima reduzido, na medida em que, apenas com algumas exceções (como será o caso da restauração e de parte dos serviços de transporte), a redução de procura e de distribuição no dia da greve não elimina o negócio não realizado, mas acaba por adiar para os dias seguintes o negócio mais reduzido no dia da greve”.

 

Retail Innovation Summit 2026

A Eurocommerce organizará na próxima semana o Retail Innovation Summit 2026, evento que destacará como os setores do comércio retalhista e grossista contribuem para a escolha do consumidor, a inovação e a competitividade, ao mesmo tempo que oferecerá liderança intelectual sobre esses temas-chave.

O evento reunirá altos funcionários e especialistas para explorar três questões-chave que moldam o setor:

  • Como podemos criar condições equitativas no retalho e no comércio grossista?
  • Capacitar e proteger os consumidores na UE;
  • Como está a Inteligência Artificial a transformar o retalho?

Os interessados poderão consultar o programa e inscrever-se através da informação abaixo disponibilizada

Retail Innovation Summit 2026

O projeto MOVER

Esta iniciativa, promovida pela CCP | Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, pelo Município de Castelo Branco e pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), reuniu representantes institucionais, entidades públicas e privadas para debater os principais desafios e oportunidades dos territórios de baixa densidade.

Durante os dois dias, o stand do projeto MOVER funcionou como um espaço de partilha, de diálogo, de sensibilização e de informação, junto de um público diversificado, composto por empregadores, entidades públicas e privadas e público em geral, sobre a importância de uma migração estruturada e de uma integração eficaz no mercado de trabalho português.

Visite a página do projeto MOVER: https://portugal.iom.int/pt-pt/mover-migracao-oportunidades-e-valorizacao-do-emprego-em-portugal e saiba mais sobre o projeto através do endereço: mover@ccp.pt

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